Como poucos "ouvintes" usam a Libras, pessoas com deficiência auditiva passam por sérios apuros no trabalho, nas ruas e até em hospitais.
As primeiras barreiras linguísticas por vezes são impostas pela própria família. Quando a criança nasce surda ou perde a audição ainda pequena, muitos pais rejeitam a língua de sinais e impõem a oralização.
Sem ouvir a própria voz, o treinamento da fala e da leitura labial costuma ser lento e penoso. O aprendizado da língua de sinais, ao contrário, é natural para quem, compensando a lacuna da audição, tem na visão o sentido mais apurado.
Raras escolas estão adaptadas para receber alunos surdos. A mera presença de um intérprete da língua de sinais ao lado do professor não é suficiente. Por um lado, muitas crianças surdas chegam ao colégio sem saber língua nenhuma e vão ter que aprender a Libras do zero.
Por outro, as que já sabem a língua de sinais não encontram professores preparados para ensinar-lhes o português escrito.
Nessa situação, como a Libras é a primeira língua do estudante, o português precisa ser apresentado como segundo idioma, com uma metodologia completamente diferente, tal como uma língua estrangeira. O professor precisa ser bilíngue e ter uma formação específica.
Em consequência do despreparo das escolas, muitos surdos chegam ao fim dos estudos como analfabetos funcionais. É por isso, aliás, que tentar se comunicar por escrito com um surdo nem sempre dá certo.
Os surdos acabam sendo forçados a viver encapsulados em seus próprios mundos. São como almas que passam por nós sem que nos preocupemos em enxergá-los ou interagir com eles
— As empresas contratam um surdo e nem se preocupam em saber como os surdos são. Só querem cumprir a cota exigida pela lei. Não estão interessadas na inclusão — ela afirma. — E a inclusão não é difícil.
Bastaria que as empresas deixassem de encarar o surdo como um incapaz e passassem a vê-lo como um estrangeiro que não compreende plenamente o português e precisa de explicações numa linguagem mais clara.
A questão preocupa os senadores. Eles estudam diversos projetos de lei que buscam reduzir a barreira linguística que isola os surdos.
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