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16 agosto, 2021

Casos de dengue têm queda de 72% na Bahia e estado entra em fase não epidêmica


Os cientistas já conhecem bem esse comportamento. Após dois anos seguidos de aumento no número de casos da dengue, são vividos outros dois anos de redução, como uma espiral que parece não ter fim. O ano de 2021 está aí confirmando essa tendência. Até o momento, a queda de casos de dengue na Bahia é de 71,82% se comparado com 2020, que trazia o segundo período seguido de epidemia.  


“Essa doença é caracterizada por períodos epidêmicos e não epidêmicos. Os anos de 2015 e 2016 foram epidêmicos, enquanto 2017 e 2018 não foram. Já 2019 e 2020 voltaram a ser epidêmicos e 2021 começa a ter a redução que esperamos ver novamente em 2022”, explica Ana Claudia Nunes, Coordenadora da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). 


Ela afirma que o período epidêmico é sinalizado quando acontece aumento repentino e inesperado no número de notificações da doença ou quando a incidência supera 300 casos por 100 mil habitantes nas últimas quatro semanas. “Temos um diagrama de controle que indica se os casos prováveis de dengue estão dentro do esperado para o período considerando a série histórica. É a forma como conseguimos avaliar a redução ou aumento dos casos”, diz.  


No caso da Bahia, entre os dias 1º de janeiro de 2021 e 10 de agosto de 2021, foram registrados 21.958 casos de dengue, um número quase quatro vezes menor do que os 77.920 casos da doença registrados no mesmo período de 2020. Além disso, a atual incidência da dengue no estado é de 147,6 casos por 100 mil habitantes, caracterizando a não epidemia.   


Salvador também registra queda nos casos de dengue 

O reflexo dos números estaduais pode ser visto na capital baiana. Entre os dias 3 de janeiro de 2021 a 7 de agosto de 2021, foram registrados 465 casos de dengue em Salvador, 95% a menos dos 10.278 casos notificados no mesmo período de 2020.  


"Apesar de estarmos no período de redução, continuamos realizando ações de controle e educativa. Durante a vacinação contra a covid, por exemplo, a gente aproveita para divulgar a importância de se evitar criadouros e quais são todos os cuidados que cada munícipe deve ter”, diz Cristina Guimarães, coordenadora das ações de controle do Aedes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).  


Ela explica que o controle continua principalmente nos locais onde há mais registro de casos, que atualmente são os distritos sanitários de Pau da Lima e Cabula/Beiru. “Quem mora nessa região precisa tomar mais cuidado ainda. Tem que usar repelente, mosquiteiro, verificar se os vizinhos estão mantendo os cuidados e, se necessitar da visita dos agentes, ligar para o Fala Salvador pelo número 156”, relata.  


Na manhã dessa sexta-feira (13), uma ação de controle foi feita em São Marcos, que faz parte do distrito sanitário de Pau da Lima. "Lá tem um caso suspeito de dengue, o que foi suficiente para irmos com a equipe que faz a limpeza e aplica o inseticida capaz de matar o mosquito adulto”, relata.  


Além da dengue, outras arboviroses tiveram redução na capital. A chikungunya caiu 98% (De 11.432 casos entre 3 de janeiro de 2020 a 7 de agosto de 2020 para 264 casos no mesmo período de 2021) e a zika caiu 96% (1.217 casos em 2020 para 44 em 2021).  


Zika e chikungunya também estão em queda na Bahia 

Na Bahia, o cenário não epidêmico das outras arboviroses não é diferente. Entre 2020 e 2021, a zika caiu 83% (de 3.975 casos para 671) e a chikungunya caiu 71% (de 37.396 casos para 10.952). A redução só não é tão expressiva como está sendo em Salvador por causa das regiões Oeste, Centro-norte e Sudoeste, que ainda preocupam as autoridades sanitárias por juntas compreenderem 85% dos casos de arboviroses em 2021.  


Nessas três regiões baianas, o coeficiente de incidência é superior a 300 casos por 100 mil habitantes, o que caracteriza uma situação epidêmica. Dos doentes, seis já vieram a óbito por dengue, sendo dois em Luís Eduardo Magalhães e os demais em Uruçuca, Jaguarari, Conceição do Coité e Ibipeba, cada. Já a chikungunya levou uma pessoa a óbito, em Matinha, enquanto a zika não vitimou ninguém.  


Moradora de Salvador, a psicopedagoga Jerusa Oliveira de Carvalho, 54 anos, teve dengue e chikungunya ao mesmo tempo no ano passado, período de aumento de casos na Bahia. “Eu fiquei muito mal. Tive todos os sintomas horríveis, como dor, febre e calafrios. Até hoje não me recuperei totalmente das dores causadas pela chikungunya”, lamenta a profissional da educação, que teve que ficar um mês de cama para tratar a doença.  


“Os piores efeitos foram os psicológicos. Fiquei muito abatida, pois não conseguia comer, levantar, pentear o cabelo e fazer atividades básicas. Logo eu que sempre fui uma pessoa ativa, fiquei super dependente do outro. Tive que voltar para a terapia para lidar com tudo isso. A pessoa que pegar essa doença precisa desse acompanhamento profissional”, recomenda.    


Cuidados não podem ser deixados de lado 

Se a tendência se confirmar, 2022 será novamente um ano não epidêmico, enquanto 2023 vai registrar aumento nos casos de arboviroses. Esse comportamento sazonal acontece por questões relacionadas ao ambiente, como temperatura e precipitação de chuvas, que são fatores que determinam as condições de vida do principal vetor, o Aedes aegypti.  


No entanto, ainda que a tendência aponte para uma queda este ano, não dá para baixar a guarda. É necessário manter os cuidados necessários para evitar a proliferação das larvas do mosquito, eliminando a água armazenada que pode se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, dentre outros. O problema é quando as ruas onde as pessoas moram não têm um ambiente favorável para isso.  


Moradora do bairro de Periperi, na região próxima ao Canal do Paraguari, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, Valdecir Lima conta que é até difícil caminhar por ali nos finais de tarde devido à nuvem de mosquitos. Ele teme que o tempo chuvoso cause uma infestação de casos de arboviroses por lá. Requalificado e entregue no fim do ano passado, o canal passou por uma obra para solucionar problemas de acúmulo de lixo e promover a reurbanização da localidade.  


Mas a moradora observa que, como o rio que corria ali foi parcialmente coberto, os mosquitos se escondem sob a estrutura das passarelas e saem à noite, o que preocupa. Valdecir Lima acredita, inclusive, que os números da doença podem estar subnotificados, ou seja, têm chances de ser muito maiores do que os computados pelas redes de saúde, já que nem todo mundo tem procurado o serviço médico por medo de ser infectado pela covid-19. “As pessoas estão esquecendo os nossos outros problemas sanitários”, diz.  


Pandemia pode ter contribuído na subnotificação de casos de arboviroses 

Descobridor do vírus da zika, o virologista Gúbio Soares concorda com a moradora. Como 2020 foi um ano atípico devido a pandemia, os esforços, tanto dos indivíduos quanto das autoridades, se voltaram para o controle da covid-19 e, por consequência, houve uma fragilidade no combate às arboviroses. Ele lembra, inclusive, que Feira de Santana teve um forte surto de chikungunya no ano passado e a situação passou quase despercebida.  


“Muita gente não buscou mesmo os postos de saúde e as pessoas tiveram perda de movimento porque a chikungunya afeta as articulações e, em alguns casos, pode até matar. Já a zika afeta especialmente mulheres grávidas, com risco de microcefalia para a criança. Agora, nesse período de chuvas, a água se acumula nas lajes não cobertas e Salvador tem uma temperatura média de 24°C, ideal para a proliferação do mosquito. O problema das arboviroses na Bahia ainda é muito grande”, diz.  


Ana Cláudia Nunes explica, ainda, que o ciclo do mosquito dura 10 dias, período em que ele vai do ovo à fase adulta. No entanto, um ovo pode sobreviver sem eclodir e durar até 450 dias. Ele fica numa área seca e, quando as chuvas acontecem, vira larva e depois mosquito. É por causa disso que ela justifica que é preciso atuar em todas as estações do ano, não só nas chuvosas. 


Cláudia Nunes também chama atenção para o fato de que, na pandemia, cresceu a produção de lixo em casa e isso também é um fator de preocupação, pois 80% dos criatórios de larvas do Aedes Aegipyti estão nas residências. "Por conta da pandemia, a gente não pode entrar nos lares para retirar esses criadouros. Só fazemos a visita e a orientação, alertando a população para que coloque as garrafas viradas para baixo, faça a limpeza dos pratos de vasos de plantas, feche tonéis e caixas d 'água, dentre outras ações", conclui. 


Zika já tem seis anos desde que foi identificada 

Em abril de 2021, completaram-se seis anos desde que o vírus zika foi identificado no país. Era abril de 2015 quando os virologistas Gúbio Soares e Silvia Sardi, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia, descobriram que ele circulava por aqui. De lá para cá, cerca de 95 mil casos já foram registrados no estado, sendo mais de 3 mil em Salvador.  


Mas, em 2020, a doença atingiu números nunca antes alcançados. Foram 1.290 casos prováveis só na capital baiana, um dado que é maior do que a soma inteira dos registros dos dois primeiros anos da epidemia, em 2015 e 2016, que tiveram 1.215 ocorrências. A maioria dos casos totais da doença em Salvador aconteceram em 2020, com 34% das ocorrências só naquele ano.  


A estatística é diferente quando se olha para o estado, que teve a maioria dos registros em 2016, com 53%. O estudante Wallace Guimarães, 18, teve a doença no ano passado em Feira de Santana. Ele dormiu e, no dia seguinte, acordou febril e com o corpo cheio de bolinhas vermelhas. O jovem acredita que, provavelmente, foi picado à noite. Por conta disso, foi preciso sair de casa no meio da pandemia de covid-19 para ir ao posto de saúde tomar soro e solicitar um remédio para alívio das dores. “Parecia catapora, mas tive sorte de que não chegou a ser nada grave”, conta. 


No meio do ano passado, novas variantes do zika vírus foram identificadas pela Fiocruz Bahia e, por causa disso, a possibilidade de reemergência da epidemia não é descartada. Gúbio Soares defende que o ideal seria que o país tivesse financiamento para uma vacina contra o zika, desenvolvida com os mesmos moldes da de covid-19, com RNA mensageiro, e essa deveria ser uma prioridade do governo para proteger o futuro da população, tendo em vista as consequências da doença para as grávidas.   


Bahia também registra queda nos casos de síndromes congênitas  

Enquanto os casos prováveis de zika tiveram uma alta no ano passado, felizmente os casos de síndrome congênita associada a esse vírus — entre elas a microcefalia — caíram significativamente. Desde 2015, a Bahia teve 2.130 ocorrências notificadas de síndrome, sendo que 585 foram confirmadas e, destas, só cerca de 0,1% aconteceu no ano passado. A maioria aconteceu em 2016, quando houve 56%. A queda é atribuída à disponibilidade de informação sobre os riscos e recomendações médicas de cuidado. 


Ainda segundo a coordenadora estadual de Doenças Transmitidas por Vetores, não houve registro de óbito pela doença este ano, o que é considerado positivo. Ana Claudia Nunes disse que o trabalho de combate ao vírus da zika não parou durante a pandemia e que as regiões Oeste e Sudoeste foram as que mais receberam carros fumacê para matar as larvas. No entanto, em abril do ano passado, houve um desabastecimento nacional da substância larvicida e o governo estadual só recebeu do Ministério da Saúde metade do que havia solicitado, o que provocou a necessidade de racionalizar essa solução naquela ocasião. 


Em 2020, 210 mil vasos de repelente foram entregues às grávidas baianas beneficiárias do Bolsa Família. A escolha dos municípios onde o produto chegou se deu a partir de acordo da incidência para a doença. Além dessa substância que afasta mosquito, a recomendação para esse público é de instalação de telas nas janelas e uso de roupas claras e de mangas compridas. “Fizemos também vídeos e podcasts para fazer essa conscientização. A principal prevenção é a conscientização, é a educação”, completa a coordenadora.  


Infectologista explica diferença dos sintomas das arboviroses com a covid-19 

Ainda vivendo uma situação pandêmica, é comum que as pessoas possam confundir os sintomas das arboviroses com a dengue, zika ou chikungunya com a covid-19. Para o infectologista Victor Castro, professor da Rede UniFTC, é importante que as pessoas fiquem alerta e, ao aparecer qualquer um desses sintomas, procure assistência média.  


“As quatro infecções são causadas por vírus e possuem sintomas semelhantes, mas há diferenças marcantes. Por exemplo, a covid é uma doença respiratória e, consequentemente, costuma ter sintomas respiratórios, como coriza, tosse e inflamação das vias áreas. Há também manifestações clássicas da covid que não são comuns nas outras doenças, como alteração no paladar e olfato”, explica.   


Já entre dengue, zika e chikungunya, as diferenças são percebidas nos detalhes. “A dengue costuma causar uma febre muito alta, maior do que a das outras doenças. As dores no corpo também são muito importante e, na forma grave, tem uma possibilidade de sangramento”. 


“A zika causa febre baixa, manchas na pele e vermelhidão nos olhos, esse último menos comum nas outras doenças. Já a chikungunya tem as dores nas articulações, nas juntas. E essas dores são crônicas, duram até mesmo semanas ou meses”, lembra.  

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