Após vídeo que põe em xeque versão da PM, filho de servidor morto diz que foi abordado por "policiais infiltrados"

Lutador de MMA diz que recebeu diversas denúncias de moradores da região sobre a atuação da 41ª CIPM


"Você viu no noticiário? O que fizeram com meu pai?", diz o lutador de MMA, Antônio Trocoli, o "Malvado", antes mesmo de perceber que havia atendido a ligação.


Ao se dar conta que falava com a reportagem, o filho do servidor do Tribunal de Contas do Município (TCM), Antônio José Trocoli Silveira, resume a condição da família diante da morte do pai: "Minha vida está uma bagunça".


Na noite da última quarta-feira (15),  o servidor estadual morreu após, segundo a versão da polícia, sacar uma arma falsa na Avenida Anita Garibaldi durante uma blitz.


A família contesta. Na sexta-feira (17), o lutador publicou nas redes sociais um vídeo no qual é possível ver que, ao ser abordado por uma viatura da PM, Antônio está rendido e leva as mãos à cabeça. O vídeo foi encaminhado para o filho da vítima por uma testemunha que chegou a dizer: "Seu pai em momento nenhum foi ameaçado por quem estava por perto, ninguém ligou para lugar nenhum".


A denúncia foi feita na Corregedoria da Polícia Militar da Bahia. No domingo (19), entretanto, durante manifestação contra a morte do pai, Trocoli foi abordado por supostos sargentos da Corregedoria que desejavam saber o contato da pessoa que enviou o vídeo.


"Ontem na passeata vieram pessoas infiltradas dizendo que eram da Corregedoria. Se apresentaram como sargento, dizendo que eram da Corregedoria e que não adianta ter vídeo, mas tem que ter a pessoa, pedindo o telefone da pessoa. Quando foi hoje, na Corregedoria, me disseram que ninguém mandou ninguém para perguntar nada para ninguém", afirma ao Metro1 ao dizer que a testemunha tem medo de ser identificada.


O lutador diz ainda que, desde a morte do pai, recebeu diversas denúncias de moradores da região sobre a atuação da 41ª CIPM. "Eu tenho muitos seguidores, então recebi muitas mensagens", diz ele, que tem mais de 40 mil seguidores em seu perfil no Instagram.


O filho da vítima diz que vai aproveitar a visibilidade da família para fazer justiça pelas outras abordagens falhas da polícia das quais tomou conhecimento. "A gente vai ter que lutar pelo direito de meu pai", afirma. "Recebo muitas mensagens, o pessoal de lá tem condição financeira menor, está exposto àquela situação da guarnição naquela região".


De acordo com a Polícia Militar, foi instaurado um inquérito para apurar os fatos. O prazo para conclusão é de 40 dias, podendo ser prorrogado, acrescenta a corporação. "Até o momento a Corregedoria está fazendo o trabalho dela, fomos muito bem recebidos pelo Capitão e a gente está aguardando o prazo", diz o lutador.

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