Professora aposta na expansão da oferta de serviços de intérprete e tradutor de Libras


Outra língua: alta demanda provocada pela pandemia fez com que a Libras+ qualificasse mais de mil pessoas na Língua Brasileira de Sinais 
 

Olhar o mundo com uma outra ótica, muito mais inclusiva. O contato com a comunidade surda fez com que a professora Eurides Nascimento não só enxergasse ali uma oportunidade de qualificação enquanto profissional, mas também que pudesse realmente fazer a diferença. Foi ainda na faculdade que ela se sensibilizou com um professor surdo.  

“No início, decidi aprender libras porque era algo que iria me desenvolver enquanto professora bilíngue de pessoas surdas e depois como uma oportunidade de ser tradutora e intérprete de libras. Só que a verdade é que trabalhar com a língua me fez uma pessoa melhor ao perceber que podia colaborar com essas pessoas na formação e colocá-las realmente como protagonistas”, conta.   

Uma empresa que promove cursos de qualificação, consultoria e interpretação em eventos corporativos à lives musicais, na difusão da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Foi na pandemia que a Libras+ (@librasmaisafrodiversa) deu um salto de crescimento, muito por conta das lives artísticas e mais recentemente dos programas e propagandas eleitorais, como destaca Eurides. 

“A Libras+ nasceu da necessidade de ter acesso a cursos de libras e formações na área de acessibilidade, o que há 19 anos quando eu comecei a estudar era algo muito escasso. Sem dúvida, a pandemia é um marco muito importante para a propagação da língua”. 

Apesar de já ofertar esses serviços há algum tempo, nos últimos dois anos  o negócio alcançou um faturamento anual de R$ 150 mil, diante do aumento exponencial da demanda por tradução e interpretação. 

“A gente enxerga o aumento desse interesse como algo muito positivo, principalmente, porque favorece em diversas áreas a inserção das pessoas surdas. Sendo mulher negra, periférica e mãe, vi aí a oportunidade de expandir. A nossa metodologia é balizada em sentir, pensar e fazer, então, basicamente, utilizamos questões lúdicas por meio de músicas e métodos pedagógicos para facilitar o aprendizado”. 

A Língua Brasileira de Sinais (Libra) é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão desde 2002, através da Lei nº 10.436. Atualmente, existem projetos de lei que aguardam aprovação no Senado, como, por exemplo, o acompanhamento de um intérprete de libras em plenários e sessões de julgamento para o acusado com deficiência, disponível para atendimentos em hospitais públicos ou privados, em atendimentos nas repartições públicas, instituições financeiras e concessionárias de serviços públicos, além da inclusão de libras na grade curricular da educação básica. 
 

“A Libras+ tem esse olhar, um olhar afro e diverso. Acabamos, inclusive, de fechar um contrato com a startup Afrosaúde.  Atuamos muito on-line nos últimos dois anos atendendo, em média, mais de mil pessoas. Os cursos têm na modalidade de jornada de sete dias, 20h, 40h ou 80h. O valor da formação vai até R$ 600, porém, temos uma cota de 20% de vagas gratuitas para negros, LGBTs e outras minorias”, explica Eurides.

Expansão

A expectativa agora é expandir a Libras+ tanto na Bahia quanto em outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro. O foco é o mercado corporativo. 

“Durante todo esse tempo, fizemos os cursos on-line, testamos os materiais pedagógicos e vamos intensificar a apresentação de projetos para as empresas. Então, é realmente expandir criando e inovando cada vez mais. A gente já vê que libras é uma das línguas que está sendo muito requisitada no mercado de trabalho além da língua estrangeira, reconhecendo que o  surdo também faz parte de uma fatia  do mercado como consumidor”. 

A facilidade para o aprendizado das libras se dá pela dedicação, como acrescenta Eurides: “Uma língua de mobilidade visuoespacial demanda atenção, dedicação  e também contato com a pessoa surda. É gostar realmente de aprender. O tempo inteiro a gente é sensibilizado a novos aprendizados. É importante também se inserir na cultura surda  e na comunidade surda e entender que o aprendizado de  libras é constante como em qualquer língua”. 

No entanto, o maior desafio para expandir a língua de sinais ainda é o preconceito. “Precisamos sensibilizar e democratizar a língua para que as pessoas nos percebam, percebam que as pessoas surdas e a língua existem. E esse avanço consiste em alcançar o máximo de pessoas, sobretudo, as crianças. Colocar a disciplina de libras dentro do currículo escolar obrigatório e poder estimular outras inserções e contratações de pessoas deficientes, independente da legislação ou de cotas”, completa a professora.


DICAS PARA UM NEGÓCIO INCLUSIVO

  • É preciso estudar E também se envolver com a comunidade que pretende atender. Estudar legislação, apostar em qualificação e em identificar os nichos que ainda não foram atingidos e tocados. 
  • Network forte  Monte uma rede de contatos consolidada, principalmente, se conectando com empresas. 
  • Orientação e mentoria  Outra dica é buscar ajuda de um mentor, ou seja, algum outro empreendedor que já tenha passado por esse processo e que possa colaborar.

QUEM É

Eurides Nascimento é pedagoga  e também tem formação em Letras com Inglês. A professora é pós-graduada em Psicopedagogia  e Educação  Inclusiva, Psicopedagogia e Metodologia do Ensino Superior, além de Metodologia do Ensino de Libras. Eurides é  criadora da Libras+, empresa afrocentrada de consultoria e oferta de serviços de qualificação, tradução e interprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

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