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| Por Joab Vitorino | Portal Bereu News |
Você já reparou que existem campanhas para diversos temas ligados à saúde, mas quando o assunto é a saúde mental dos homens, o silêncio parece falar mais alto?
Junho é o mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental masculina. No entanto, a data passa quase despercebida. Não há grandes mobilizações, poucos debates ganham espaço e, enquanto isso, milhares de homens continuam enfrentando suas dores em silêncio.
Desde pequenos, muitos meninos ouvem frases que acabam moldando toda a sua vida: *"Homem não chora." "Seja forte." "Engole o choro." "Resolva seus problemas sozinho."* O que parece apenas uma educação rígida acaba se transformando em um peso que acompanha esses homens até a vida adulta.
Eles aprendem a esconder a tristeza, a mascarar o medo, a sufocar a ansiedade e a acreditar que demonstrar sofrimento é sinal de fraqueza. Com o tempo, deixam de pedir ajuda, deixam de conversar e passam a carregar tudo sozinhos.
Mas ninguém nasceu para suportar o mundo inteiro nas costas.
O sofrimento masculino raramente aparece da forma que as pessoas esperam. Muitos homens não choram na frente dos outros. Eles continuam trabalhando, sorrindo quando necessário e dizendo que está tudo bem. Só que, por dentro, estão esgotados.
A dor costuma aparecer de outras maneiras: na irritação constante, na impaciência, na insônia, no excesso de trabalho para fugir dos próprios pensamentos, no abuso de álcool, no isolamento, na dificuldade de demonstrar carinho e até no silêncio dentro da própria casa.
Há homens que chegam do trabalho e permanecem calados por horas. Não porque não tenham o que dizer, mas porque já não sabem como explicar o que estão sentindo. Outros passam noites sem dormir, preocupados com as contas, com o futuro da família, com o medo de fracassar ou simplesmente tentando vencer uma batalha que ninguém consegue enxergar.
Muitos carregam a responsabilidade de sustentar uma casa, proteger quem amam e resolver os problemas de todos ao redor. Porém, quando eles desabam emocionalmente, quase sempre escutam que precisam "ser fortes". Poucos perguntam se eles estão bem. Poucos oferecem um abraço. Poucos percebem que quem sempre cuida também precisa ser cuidado.
É justamente aí que mora o perigo.
Quando um homem acredita que não pode demonstrar vulnerabilidade, ele também passa a acreditar que não pode pedir ajuda. E esse silêncio prolongado pode se transformar em depressão, ansiedade, crises emocionais e, nos casos mais graves, em pensamentos suicidas.
Os números mostram uma realidade que não pode mais ser ignorada: no Brasil, cerca de 80% das pessoas que morrem por suicídio são homens. Em muitos desses casos, familiares e amigos relatam que eles nunca haviam falado sobre o sofrimento que enfrentavam. Continuavam dizendo que estava tudo bem, até que já não conseguiam mais suportar a dor.
Pedir ajuda não diminui ninguém. Não torna um homem menos forte, menos responsável ou menos capaz. Na verdade, reconhecer que precisa de apoio exige uma coragem que muitos ainda não conseguem encontrar justamente porque passaram a vida inteira ouvindo que deveriam suportar tudo sozinhos.
A verdadeira força não está em esconder as lágrimas. Está em compreender que ninguém precisa enfrentar o sofrimento isoladamente.
Se você conhece um homem que anda diferente, mais calado, distante ou irritado, talvez ele não precise de julgamentos ou cobranças. Talvez precise apenas de alguém disposto a ouvir sem interromper, sem criticar e sem dizer que isso vai passar.
E se esse homem for você, saiba que pedir ajuda não é desistir. É escolher continuar.
Conversar pode salvar uma vida. A sua ou a de alguém que você ama.
Se houver sofrimento emocional intenso ou pensamentos de desistir da vida, procure ajuda profissional. Também é possível buscar acolhimento gratuito e sigiloso pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, disponível 24 horas por dia.
Porque todo homem também sente. Todo homem também sofre. E todo homem merece ser ouvido antes que o silêncio fale por ele.
