![]() |
| Por Joab Vitorino | Jornalista e Radialista – Bereu News |
Decisão estabelece distância mínima de 200 metros e proíbe contato dos investigados com a jornalista, familiares e testemunhas
A disputa política em Coração de Maria ganhou um capítulo que ultrapassa as discussões e divergências comuns da política. A jornalista e candidata a deputada federal Josiane Desidério Mota passou a contar com medidas de proteção determinadas pela Justiça Eleitoral após denunciar ameaças e perseguições.
O Portal Bereu News teve acesso à decisão judicial, assinada pelo juiz eleitoral Tiago Lima Selau, da 130ª Zona Eleitoral de Coração de Maria.
O pedido foi apresentado pela Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM Brotas), em favor da jornalista. O Ministério Público Eleitoral se manifestou favoravelmente à adoção das medidas.
Ameaças teriam começado após anúncio da pré-candidatura
De acordo com os elementos apresentados no processo, os episódios denunciados teriam se intensificado depois que Josiane anunciou, em 6 de março de 2026, sua pré-candidatura ao cargo de deputada federal.
A decisão judicial cita mensagens e áudios que teriam sido compartilhados em um grupo de WhatsApp chamado “A Bronca Metendo Bronca”.
No processo, aparecem como requeridos Alexandre de Oliveira Figueredo Borges, conhecido como Alexandre Bronca, e Sérgio Luis Pereira Rocha.
Veja mais: 2º Game de Airsoft Noturno chega a Berimbau com inscrições abertas, apoio e orientações de segurança
Segundo o que consta na decisão, as autoridades analisaram mensagens com conteúdo considerado ameaçador, incluindo referências a armas. O processo também registra uma denúncia de intimidação presencial contra a jornalista, ocorrida em 10 de abril de 2026, em Coração de Maria.
Os fatos ainda são objeto de apuração. Os requeridos não devem ser considerados culpados antes de eventual condenação definitiva.
Quando a política começa a causar medo
A situação relatada pela jornalista chama atenção porque, segundo os documentos analisados pela Justiça, os episódios não ficaram restritos a críticas ou divergências políticas.
Na decisão, o magistrado aponta que os elementos apresentados indicariam risco à integridade física e emocional da vítima e também preocupação com seus familiares.
O processo registra ainda a apresentação de um relatório psicológico, segundo o qual a jornalista apresentaria sintomas relacionados a estresse pós-traumático, crises de ansiedade e hipervigilância associados à situação denunciada.
Para a jornalista, a situação também estaria relacionada às mudanças ocorridas em sua trajetória política.
Segundo relato apresentado por Josiane, ela deixou o grupo político ao qual estava ligada e passou a adotar uma posição de oposição, além de declarar apoio ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto.
A mudança de posicionamento, segundo ela, teria aumentado os conflitos políticos em torno de sua atuação.
Justiça determina 200 metros de distância
Diante dos elementos apresentados, a Justiça Eleitoral determinou uma série de medidas para proteger Josiane.
Entre elas está a obrigação de manter distância mínima de 200 metros da jornalista, de seus familiares e de possíveis testemunhas.
Os requeridos também estão proibidos de estabelecer contato com a vítima ou seus familiares por qualquer meio, incluindo telefone, redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mail ou contato presencial.
A decisão também proíbe a divulgação de imagens, vídeos, áudios ou outros conteúdos de caráter ofensivo, difamatório ou vexatório relacionados à jornalista.
Também ficou proibida a realização de ataques públicos contra sua imagem em redes sociais, grupos de mensagens, manifestações públicas ou atos políticos.
Descumprimento pode levar à prisão
A Justiça deixou claro que o descumprimento das medidas poderá ter consequências mais graves.
Conforme a decisão, caso qualquer uma das determinações seja desrespeitada, poderá ocorrer a decretação de prisão preventiva dos requeridos.
Os envolvidos foram determinados a ser intimados pessoalmente para tomar conhecimento das medidas e cumprir imediatamente as obrigações estabelecidas pela Justiça.
Um alerta para a participação das mulheres na política
O caso também abre espaço para uma discussão que vai além de nomes, partidos ou grupos políticos.
A democracia pressupõe divergência. É natural que candidatos sejam criticados, que adversários discordem e que diferentes grupos defendam suas posições.
O que não pode fazer parte desse ambiente é a ameaça ou a intimidação.
A própria decisão judicial enquadra, em tese, os fatos denunciados no artigo 326-B do Código Eleitoral, que trata da violência política contra a mulher com a finalidade de dificultar ou impedir sua atuação política.
O caso segue na Justiça Eleitoral
O processo tramita na 130ª Zona Eleitoral de Coração de Maria, vinculada ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia.
A decisão foi assinada em 12 de junho de 2026 e determinou o cumprimento urgente das medidas de proteção.
O Portal Bereu News continuará acompanhando o caso e dará espaço para as manifestações das partes envolvidas, respeitando o direito de defesa e a presunção de inocência.
