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| Por Joab Vitorino Jornalista e Radialista do Bereu News / Foto: Acorda Cidade |
Estudante de 13 anos foi atingida por um pedaço de madeira durante desentendimento com um colega. Mãe denuncia falta de segurança e afirma que médicos descartaram a possibilidade de recuperação da visão.
A violência dentro do ambiente escolar deixou marcas irreversíveis na vida de uma adolescente de 13 anos, em Feira de Santana, na Bahia. A estudante perdeu a visão de um dos olhos após ser atingida por um pedaço de madeira arremessado por um colega dentro do Colégio Estadual Hilda Carneiro, no bairro Mangabeira.
O caso aconteceu na segunda-feira (19), durante o intervalo das aulas. Três dias depois, familiares, estudantes e amigos se reuniram nas proximidades da unidade de ensino, nesta quinta-feira (22), para cobrar justiça e medidas efetivas de combate à violência nas escolas.
A mãe da adolescente, Tais Araujo da Silva, afirma que a filha não poderá recuperar a visão do olho atingido. Segundo ela, a equipe médica descartou até mesmo a possibilidade de um transplante.
“Eu queria a visão da minha filha de volta. Mas, como não é possível, que a justiça seja feita e que todos respondam”, declarou.
Desentendimento terminou em agressão
Segundo informações relatadas pela família, a adolescente brincava com um colega durante o intervalo, quando os dois começaram a disputar uma sandália. A situação teria evoluído para um desentendimento.
A mãe contou que, após a menina bater nas costas do garoto, ele teria corrido atrás dela com um pedaço de madeira. Durante a tentativa de fuga, a estudante foi atingida na região do olho.
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| Por Joab Vitorino Jornalista e Radialista do Bereu News / Foto: Acorda Cidade |
O ferimento provocou sangramento intenso. A adolescente recebeu os primeiros atendimentos e passou pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Queimadinha e pelo Hospital Estadual da Criança.
Devido à gravidade do quadro, ela foi transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, onde permanece internada.
A mãe relatou que encontrou a filha ferida na secretaria da escola e precisou agir rapidamente para buscar atendimento médico.
“Quando cheguei, peguei minha filha, coloquei no meu carro e saí doida, correndo atrás de médico”, contou.
Perda da visão é considerada irreversível
A família enfrenta agora as consequências de uma lesão que, segundo a mãe, comprometeu definitivamente a visão da adolescente.
Tais afirmou que os médicos informaram que não há possibilidade de recuperar a visão do olho atingido, inclusive por meio de transplante.
A estudante poderá utilizar uma prótese ocular após aproximadamente três meses. O dispositivo teria finalidade estética, e a família ainda busca informações sobre o fornecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além dos cuidados médicos, a adolescente recebe acompanhamento psicológico durante a internação.
“Ela está totalmente transtornada, a família toda transtornada. Todo dia o psicólogo vem aqui para conversar com ela. Destruiu a vida da minha filha e a minha vida também”, desabafou a mãe.
Segundo Tais, a filha já havia relatado situações de bullying envolvendo o colega antes da agressão. Apesar dos episódios, os dois mantinham uma relação de amizade.
A mãe afirma que a adolescente continua profundamente abalada e relembra constantemente o momento em que foi atingida.
“Ela fala: ‘Mãe, ele jogou e ainda falou bem feito. Ele nem prestou socorro’. Eu tento dizer para ela esquecer, tirar isso da cabeça. O mais duro é olhar para as fotos dela com os dois olhinhos e, quando chega na realidade, ver que ela só tem um”, relatou.
Família questiona segurança da escola
Além da responsabilização do estudante envolvido, a família cobra providências da direção da unidade de ensino e das autoridades responsáveis pela educação.
A mãe afirmou que a escola informou que o adolescente havia sido afastado após os questionamentos feitos pelos familiares.
Tais também defende a adoção de medidas preventivas durante os intervalos e questiona a estrutura da unidade de ensino.
Segundo ela, a filha relatou a presença de objetos como enxadas e pedaços de pedra no ambiente escolar.
A mãe mencionou ainda que o estudante teria autismo e defendeu que alunos que necessitam de acompanhamento específico recebam o suporte adequado. Ela ressaltou, entretanto, que a condição não deve ser utilizada como justificativa para a agressão.
“Era para a escola ter um acompanhante, porque dizem que ele tem autismo, ou então uma pessoa para estar acompanhando o recreio, olhando as crianças brincarem. Esse tipo de brincadeira não existe, isso é uma agressão”, afirmou.
A família cobra que o caso seja apurado e que sejam adotadas medidas para evitar novas ocorrências.
“Eu quero que o menino responda de alguma maneira. Os pais têm que responder, principalmente a escola, porque era para ter dado todo o suporte”, declarou.
Avó participa de manifestação e pede justiça
A avó da adolescente, Crispina de Jesus Conceição, de 80 anos, também participou da manifestação. Ela contou que costuma levar a neta à escola quando a mãe não pode e que soube da agressão pouco depois de deixar a menina na unidade.
Segundo Crispina, a adolescente já havia relatado situações de bullying envolvendo o colega.
A idosa afirmou que a perda da visão da neta provocou um profundo abalo emocional na família.
“Eu trouxe minha neta na segunda-feira para o colégio. Quando foi 13h, soube a notícia de que ela tinha sido agredida por um menino. Esse menino pegou um pedaço de madeira e bateu nos olhos da minha neta. Hoje, minha neta não enxerga de maneira nenhuma. Eu quero justiça, porque tudo o que tenho é ela”, disse.
A avó também relatou o sofrimento da adolescente diante da impossibilidade de recuperar a visão.
“Ela só chora, porque fala que perdeu a visão e não sabe mais o que vai fazer sem enxergar. Nem o transplante pode fazer”, afirmou.
Secretaria de Educação informa medidas de assistência
O Núcleo Territorial de Educação do Portal do Sertão (NTE 19) informou que a equipe do Colégio Estadual Hilda Carneiro adotou medidas para prestar assistência imediata à estudante.
De acordo com o órgão, a família foi acionada e a adolescente foi acompanhada durante os encaminhamentos à UPA e ao Hospital Estadual da Criança.
A direção da escola também acionou o Conselho Tutelar, que acompanha o caso, além do Conselho de Classe.
O NTE informou que uma equipe multidisciplinar, formada por assistente social e psicólogo, foi designada para realizar o acolhimento e a escuta das famílias e da comunidade escolar.
Representantes do Comitê Estadual Intersetorial de Segurança nas Escolas e nos Espaços Educacionais (Cise) e uma assistente social da Secretaria da Educação do Estado estiveram no Hospital Geral do Estado (HGE) para prestar assistência à adolescente e aos familiares.
O órgão destacou que as escolas estaduais contam com um Protocolo de Apoio e Proteção Escolar, que estabelece procedimentos para promover a segurança e a cultura de paz no ambiente educacional.
A aplicação do protocolo é acompanhada pelo Cise, que reúne órgãos públicos, privados e representantes da sociedade civil para desenvolver ações de prevenção à violência nas escolas.
Até a publicação desta reportagem, não havia informações detalhadas sobre eventuais medidas socioeducativas relacionadas ao estudante envolvido na agressão.
O caso evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre a segurança nas escolas, o acompanhamento dos estudantes e a prevenção de episódios de violência que podem comprometer, de forma definitiva, a vida de crianças e adolescentes.
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