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3 de maio de 2020

"Moro divulgou delação de Palocci em 2018 para favorecer Bolsonaro", acusa Gilmar Mendes

"Moro divulgou delação de Palocci em 2018  para favorecer Bolsonaro", acusa Gilmar Mendes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acusou Sérgio Moro, ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, de vazar propositalmente a delação do ex-ministro do PT, Antonio Palocci, durante o segundo turno das eleições de 2018, para favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Bolsonaro disputava a Presidência da República contra Fernando Haddad (PT)
"Ele (Moro) estava muito próximo desse movimento político, tanto que, no segundo turno, ele faz aquele vazamento da delação do Palocci. A quem interessava isso? Ao adversário do PT",  declarou Gilmar em entrevista à Rádio Gaúcha, na sexta-feira (1/4).
Para Gilmar, havia intenção política de Moro ao levantar o sigilo da delação, pois o depoimento de Antonio Palocci, no qual o ex-ministro do governo Lula (2003-2010) disse estimar que, das cerca de mil MPs (medidas provisórias) editadas nos quatro governos do PT, em pelo menos novecentas houve cobrança de propina, ocorreu em 1º de outubro de 2018, seis dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais e, dias depois, Bolsonaro parabenizou Palocci pelo depoimento à Lava Jato e disse que o conteúdo da colaboração mudaria o resultado da eleição.
"Depois ele aceita esse convite, que foi muito criticado, para ser ministro do governo Bolsonaro, cujo adversário ele tinha prendido. É toda uma situação muito delicada, se discute muito a correição ética desse gesto", prosseguiu o ministro.
Durante a entrevista, o ministro do STF também relatou uma conversa com o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, que aponta que Moro sabia, ainda durante as eleições, que seria convidado a compor o ministério de um futuro governo de Bolsonaro. " Ele (Guedes) contou que, quando se tornou o responsável pela economia na equipe do Bolsonaro — não sei em que momento, se já no período do segundo turno —, pediu autorização para ir convidar o Moro, porque achava que precisava de alguém que cuidasse da lei e da ordem", contou Gilmar. "Ele vinha nessa narrativa quando eu disse a ele: ministro, escreva isso na sua biografia. O senhor deu uma grande contribuição ao Brasil ao tirar Moro de Curitiba", disse Gilmar, disparando mais uma crítica contra Moro. 
Sergio Moro pediu demissão do cargo de ministro da Justiça após a exoneração do ex-diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, no dia 24 de abril. Moro afirmou que Bolsonaro tentou interferir e receber dados sigilosos de investigações da Polícia Federal. Neste sábado (2/5), ele presta depoimento na STF, em Curitiba, no inquérito que apura se o presidente cometeu crimes por interferência na PF, em tramitação no STF após investigação aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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