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Sequência de violência: especialistas explicam possíveis causas sobre casos contínuos de agressões nas escolas do Brasil


Há cerca de 3 anos, o Brasil vivia uma onda exacerbada de violência contra professores de escolas públicas e privadas pelo país inteiro. Entre colegas e estudantes, o monstro da violência escolar se instaurou após o retorno das aulas presenciais pós-pandemia e parece que tão cedo não vai nos deixar.  Na última semana, mais quatro casos deste contexto vieram à tona através da mídia, ligando o alerta dos especialistas e pais de alunos para tentar descobrir a raiz dessa equação. 


Aqui na capital baiana, por exemplo, uma menina foi agredida pelo simples fato de ter cabelos lisos e grandes. Em Belo Horizonte, um garoto levou uma granada para a sala de aula. No Distrito Federal e em São Paulo, adolescentes esfaquearam colegas por motivos torpes e alguns outros isolados nos últimos meses que seguem complementando estatísticas e números que muitas vezes não são nem registrados, tornando impossível traçar a real dimensão da abertura dessa caixa de pandora. 


Os motivos são diversos mas o que vem desencadeando todos eles, segundo especialistas, é a desigualdade social, estudos realizados pela  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mostram que o Brasil é o 7º país mais desigual do planeta e traz as consequências dessa questão relacionadas diretamente ao ambiente escolar, onde por conta das injustiças sociais, adolescentes e crianças buscam a força física e as agressões para sua auto-afirmação e colocam assim para fora os medos e frustrações que vivem na sua rotina diária.


Segundo a socióloga Cristina Oliveira, 48 anos, uma boa comparação para exemplificar tais ocorrências é com um dos estudos do cientista social John Locke, a "tese da Tábula Rasa", onde a mente infantil torna-se uma folha em branco, preenchida com as principais memórias vividas ao longo dos anos e com elas se forma as referencias de vivências e atitudes formam o indivíduo perante a sociedade. 


"As crianças são folhas em branco, como alguém com experiências traumáticas vai encher essas folhas em branco com experiências boas? Impossível, só restam nelas experiências negativas e problemáticas, levando isso para seu dia. O fenômeno que está lá fora engloba tudo, isolamento social na pandemia, violência na sociedade, valores invertidos e também claro, as desigualdades sociais tanto que os maiores e piores casos são provenientes de escolas públicas onde esse fato é corriqueiro e bem mais frequente...", explica. 


Segundo o artigo nº 205 da Constituição Federal, na teoria, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, promovê la e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, mas isso nem sempre acontece. Segundo a psicopedagoga Maria do Socorro Alves, 62 anos,"os últimos acontecimentos escolares no Brasil apavoram a classe, e é de extrema importância que o Ministério da Educação e os governantes tenham que se alertar e junto a sociedade para o uso certo da psicologia tentando com ela reverter o quadro enquanto a tempo para que família e escola se unam e evitem tais situações". 


"Sigo afirmando que a oferta de apoio psicológico é a melhor saída, é necessário uma participação mais efetiva para reverter essas situações. Atender tanto a quem sofre quanto a quem causa a violência, palestras, campanhas com participação de pais, alunos e a comunidade para que em conjunto possam refletir sobre o tema e reafirmar a idéia de paz nas escolas. Outra coisa necessária é uma punição específica para esse tipo de ato, não rebater violência com ela própria mas na persistência é necessário uma medida mais enérgica com a família e os indivíduos envolvidos para liquidar o ato e dar uma nova oportunidade de comportamento e atitude para o indivíduo que cometeu o ato", argumenta. 


Acolhimento é a palavra-chave usada pelas duas especialistas ouvidas pela redação do BNews, elas acreditam e levantam a bandeira de uma escola unida com os pais dos alunos e a  sociedade como um todo realizando um trabalho mútuo ministrado e guiado pelos órgãos responsáveis para um resultado melhor na retomada da paz nas instituições de ensino do país a fora. 

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