Homem arremessou mulher de moto antes de matá-la a pedradas, dizem testemunhas

 Caso ocorreu em Sussuarana


Autor confesso do assassinato a pedradas de Aldeci Lima de Andrade, em frente a um ponto de ônibus na Avenida Gal Gosta, no bairro de Sussuarana na terça-feira (5), o ex-companheiro da vítima, que não teve a identidade revelada, admitiu tê-la assassinado por não aceitar o fim do relacionamento. De acordo com informações da Polícia Civil, no depoimento, o suspeito confessou que matou Aldeci depois de uma discussão.


Autuado em flagrante pelo crime de feminicídio e custodiado na Central de Flagrantes, ele havia se entregado na  12ª Delegacia Territorial (DT/Itapuã), pouco depois das 23h30 de terça, quando a polícia encontrou o corpo de Aldeci no meio da via em Sussuarana. Ao chegarem no local, os policiais encontraram a mulher já morta, com sinais de pedradas. No entanto, não foi com pedras que o crime começou. Pelo menos, é isso que garantem moradores da região. "Quem mora ali, viu ele jogando ela de cima da moto antes. Ela caiu no meio da rua e aí ele começou a bater com pedra ou qualquer outra coisa", conta um morador, que preferiu não se identificar.


Uma outra moradora afirmou ter tido a impressão que, além das pedradas, ele teria dado facadas em Aldeci quando a vítima estava no chão. "Não foi só pedra, ele bateu com pedra no rosto, mas embaixo parecia ter furos de faça. Acho que bateu de todo jeito. Jogou da moto, esfaqueou e depois fez o resto com a pedra", indica a moradora, outra que não revelou o nome por medo. Em contato com a polícia, a reportagem não conseguiu confirmação sobre detalhes do crime. 


De fora

O que todas as pessoas ouvidas pela reportagem em Sussuarana confirmaram, sem qualquer dúvida, é que tanto Aldeci como o suspeito não moravam por ali. "Daqui não são. Ninguém aqui conhece ela e nem esse rapaz. Se fossem daqui, ele não estaria preso lá não. Antes de pensar em correr pra polícia, ele estaria morto", garante a moradora.


Um rapaz que também reside na região concordou. Para ele, quem comete esse tipo de crime faz de caso pensado e vai para longe do lugar em que vive. "Você vai fazer um negócio desse no seu território, onde todo mundo te conhece? Quando o cara planeja uma coisa dessa, ele faz bem longe de casa. Se fosse conhecido daqui, todo mundo estaria sabendo pouco depois", especula.


O corpo de Aldeci ficou pouco tempo ao lado de uma caixa de lixo, onde foi abandonado pelo companheiro. Assim que chegaram, policiais acionaram o Departamento de Polícia Técnica (DPT) para remoção do corpo e realização da perícia. O autor confesso do crime foi autuado em flagrante por feminicídio e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso.


Feminicídio na Bahia

Aldeci é a 23° mulher morta por feminicídio na Bahia em 2022. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA), de 1° de janeiro a 3 de abril, 22 mulheres já tinham sido mortas pelo mesmo crime, que tem seus índices monitorados de perto pelo órgão. No mesmo período do ano passado, 25 mulheres foram vítimas de feminicídio. 


Ao final de 2021, ainda segundo a SSP-BA, foram registrados, em números totais, 89 feminicídios no estado. Uma redução em relação a 2020, quando a Bahia teve 113 casos, mas um número que ainda preocupa já que são necessárias pouco mais de 96 horas para que uma mulher seja morta neste tipo de crime em terras baianas.


Relembre casos

Além de Aldeci, outras mulheres foram vítimas de feminicídio no estado neste ano e não é preciso voltar tanto para lembrar dos casos.


No dia 2 de abril, em Itaparica, um homem de 39 anos foi preso em flagrante, suspeito de matar e enterrar a esposa na casa onde moravam. A vítima foi identificada como Jéssica Luz dos Santos, 25 anos. O homem foi autuado em flagrante por feminicídio e ocultação de cadáver. 


No dia 10 de março, em Porto Seguro, um idoso de 62 anos foi preso em flagrante menos de 24 horas após matar a companheira. Ele foi localizado na Avenida dos Navegantes. O suspeito pretendia enterrar Luciene Vasconcellos Mueller, de 39 anos, sem o conhecimento dos familiares.


No dia 12 de fevereiro, em Simões Filho, Leidiane Nascimento Paraguassu, 31 anos, foi morta pelo ex-companheiro que a atropelou com um caminhão enquanto ela estava em uma moto com um amigo. O suspeito, Sivanildo Macêdo, 34 anos, não prestou socorro e fugiu, mas acabou se apresentando à polícia e teve a prisão preventiva decretada.


No dia 28 de janeiro, em Salvador, Gabriele dos Santos Souza foi assassinada a facadas na casa onde morava. O principal suspeito é o namorado da vítima , Guilherme Andrade Santos, 21, que se matou no mesmo dia. Ele foi encontrado com um tiro na cabeça na região da praia de Ipitanga.


No dia 17 de janeiro, em Ipirá, Alessandra Souza Rios, 40 anos, foi morta a tiros. O principal suspeito pelo crime é o ex-marido dela, preso pela Polícia Militar. Ela estava chegando em casa com as duas filhas do ex-casal quando foi surpreendida pelo ex-marido. O homem, que não teve nome divulgado, já era suspeito de ter ateado fogo a um salão de beleza de Alessandra, que tinha medida protetiva contra ele.

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