'Fugiu do controle': acusado de matar Mãe Bernadete confessa crime e diz que queria dar susto

Fugiu do controle: Acusado de matar Mãe Bernadete confessa crime e diz que queria dar ‘susto’. Foto: Reprodução/UFRJ


Durante o julgamento, o acusado de matar Mãe Bernadete confessou o crime mas afirmou que a situação 'fugiu do controle' e que queria apenas dar um 'susto' na líder religiosa

Aconteceu nesta segunda-feira (13) o primeiro dia de julgamento dos acusados do Caso Mãe Bernadete, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Durante as audições, um dos julgados, Arielson da Conceição Santos, confessou ter cometido o crime, mas alegou que não tinha intenção de matar Maria Bernadete Pacífico, no dia 17 de agosto de 2023.


Ao portal, o advogado Marcos Rudá, explicou sobre a linha da defesa e a fala do acusado:

“Ele confessa o crime e explica como é que foi a execução, se demonstrou arrependido e etc. Mas [ele] disse que tinha intenção apenas de dar um susto e que tudo fugiu do controle, muito por uma motivação de uma outra pessoa chamada BZ”, falou. ‘BZ’ é o apelido de Josevan Dionisio dos Santos, que foi preso em setembro do ano passado por participação no crime.

Além de Arielson, Marílio dos Santos é o acusado de ser o mandante da morte da líder relígiosa. Neste primeiro dia, outras três pessoas foram ouvidas hoje pelo júri: um dos investigadores que esteve à frente das investigações e o neto de Mãe Bernadete, Wellington Pacífico. A sessão foi suspensa e deve retornar às 8h desta terça-feira, com a fase de debates entre acusação e defesa, segundo Dr. Rudá.

Para a defesa, as provas são “bem fracas” no que diz respeito a atribuir a liderança e mando do crime à Marílio. “A gente entende que não houve mando do nosso cliente”. Inclusive, a defesa aponta que a inclusão de Maurílio ocorre de maneira “controversa”.

“Na nossa percepção, ele só figura no processo porque tem uma certa lista extensa de processos criminais. [...] Mas no caso em si, da mãe Bernadete, a defesa não consegue enxergar provas robustas para incriminá-lo", disse. 



Adiamento do julgamento

Os dois seriam julgados em fevereiro deste ano, mas a defesa pediu o adiamento da data. Sobre a alteração, vista pela acusação como uma manobra, o advogado explicou:

“Quando teve o adiamento inclusive do outro júri popular muito foi dito de que isso dali teria sido uma manobra pra atrasar a justiça e tudo mais. [...] A gente só queria um tempo maior pra estudar o processo,  que é complexo, porque nós fomosos constituídos na dias antes do júri. 
Então ficou humanamente impossível estudar o processo, requeriu o adiamento. Me comprometi com a juíza de que ela pudesse encontrar uma data próxima né porque tá na pauta e ela sim o fez e estamos aqui hoje".



Relembre o caso Mãe Bernadete

Durante o julgamento, o acusado de matar Mãe Bernadete confessou o crime mas afirmou que a situação 'fugiu do controle' e que queria apenas dar um 'susto' na líder religiosa. Foto: Divulgação


Durante o julgamento, o acusado de matar Mãe Bernadete confessou o crime mas afirmou que a situação 'fugiu do controle' e que queria apenas dar um 'susto' na líder religiosa. Foto: Divulgação

Durante o julgamento, o acusado de matar Mãe Bernadete confessou o crime mas afirmou que a situação 'fugiu do controle' e que queria apenas dar um 'susto' na líder religiosa. Foto: Divulgação

Mãe Bernadete foi vítima de homicídio em 17 de agosto de 2023, na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, município da Região Metropolitana de Salvador. No momento do crime, três netos da vítima — de 12, 13 e 18 anos — estavam no imóvel.

Na época do crime, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da própria SJDH, havia pelo menos dois anos, em razão de ameaças recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança eram de conhecimento das autoridades.

O assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira teria tido como mandante Marílio dos Santos. Ele é investigado e apontado, pelo MP-BA, como liderança do tráfico de drogas na região. Já Arielson da Conceição Santos foi identificado como um dos executores. Ambos respondem por homicídio qualificado.

Conforme a denúncia, o assassinato teria sido praticado por motivo torpe, com uso de meio cruel, mediante recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima e com emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, Arielson também foi denunciado por roubo.

Outros três acusados no processo — Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — serão submetidos a julgamento em datas que ainda serão definidas.

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