Setembro Amarelo: informação, escuta e prevenção podem ajudar a salvar vidas

Por Joab Vitorino | Jornalista e  Radialista – Bereu News


Setembro é marcado, no Brasil, por uma campanha que busca levar informação, conscientização e, principalmente, esperança para pessoas que enfrentam momentos de sofrimento emocional. O Setembro Amarelo coloca em evidência a prevenção do suicídio e reforça a importância de falar sobre saúde mental sem julgamentos e com responsabilidade.

Mais do que uma campanha de um mês, a proposta é estimular uma cultura permanente de cuidado, acolhimento e valorização da vida.


Como surgiu o Setembro Amarelo?

A história que deu origem ao símbolo amarelo começou nos Estados Unidos, em 1994, após a morte de Mike Emme, um jovem de 17 anos conhecido por sua paixão por automóveis.

Mike havia restaurado e pintado de amarelo um Ford Mustang. Após sua morte, familiares e amigos utilizaram fitas amarelas para homenageá-lo e distribuíram cartões com mensagens de incentivo para que pessoas em sofrimento procurassem ajuda.

A iniciativa ficou conhecida como “Yellow Ribbon” (Fita Amarela) e acabou se tornando uma referência internacional na prevenção do suicídio.

No Brasil, o movimento ganhou força a partir da articulação entre entidades como o Centro de Valorização da Vida (CVV), a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), com ações voltadas à conscientização e à prevenção.


O dia 10 de setembro é reconhecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.


Por que falar sobre suicídio é importante?

Durante muito tempo, o assunto foi tratado como um tabu. O silêncio, porém, pode dificultar que uma pessoa em sofrimento encontre ajuda.

De acordo com o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo e possui múltiplas causas. Não existe uma única explicação ou um fator isolado que determine que alguém irá tentar tirar a própria vida.

Problemas emocionais, situações de violência, perdas, conflitos familiares, dificuldades financeiras, isolamento social, sofrimento no trabalho e outros fatores podem aumentar a vulnerabilidade de uma pessoa, especialmente quando associados a outros sinais de sofrimento.

Por isso, ouvir, acolher e encaminhar para ajuda profissional são atitudes importantes.


Quais sinais merecem atenção?

Não existe uma fórmula capaz de identificar com certeza quando alguém está em risco. Entretanto, alguns comportamentos podem indicar que uma pessoa está passando por um sofrimento intenso.


Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • • Falar frequentemente sobre morte, desesperança ou falta de sentido na vida;
  • • Demonstrar sentimento de culpa, baixa autoestima ou ausência de perspectiva;
  • • Isolar-se da família, dos amigos e de atividades que anteriormente proporcionavam prazer;
  • • Apresentar mudanças importantes de comportamento;
  • • Expressar frases que indiquem despedida, desesperança ou desejo de desaparecer;
  • • Demonstrar sofrimento emocional intenso ou agravamento de problemas já existentes.


Esses sinais não devem ser analisados isoladamente. O Ministério da Saúde orienta que familiares e pessoas próximas estejam atentos principalmente quando vários deles aparecem ao mesmo tempo.


Como ajudar alguém que está sofrendo?

Uma das atitudes mais importantes é ouvir.

Não é necessário ter todas as respostas. Muitas vezes, oferecer presença, atenção e uma conversa sem julgamentos pode ser o primeiro passo para que a pessoa aceite buscar ajuda.

Se houver preocupação com alguém, procure um momento tranquilo para conversar. Demonstre que você está disponível para ouvir e incentive a procura por profissionais de saúde.

Em uma situação de risco imediato, a pessoa não deve ser deixada sozinha. É importante procurar atendimento de emergência e acionar familiares ou pessoas de confiança.

O Ministério da Saúde também orienta que, quando houver risco, sejam tomadas medidas para reduzir o acesso da pessoa a meios que possam ser utilizados para provocar a própria morte.


Prevenção também envolve tratamento

A prevenção não acontece somente por meio de campanhas. Ela envolve acompanhamento e acesso aos serviços de saúde.

A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde oferece diferentes portas de entrada para pessoas que precisam de atendimento em saúde mental.

Entre elas estão as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços de urgência e emergência, UPAs, hospitais e o SAMU 192.

O tratamento deve ser avaliado individualmente por profissionais capacitados. Dependendo da situação, pode envolver acompanhamento psicológico, psiquiátrico, atendimento multiprofissional, medicamentos quando indicados e acompanhamento contínuo.

Buscar tratamento não significa fraqueza. Pedir ajuda é uma atitude de cuidado.


Onde buscar ajuda?

Quem estiver passando por sofrimento emocional ou tiver pensamentos relacionados ao suicídio pode procurar ajuda.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.


Também é possível procurar:

  • • UBS e unidades de saúde;
  • • CAPS;
  • • UPA 24 horas;
  • • Pronto-socorro e hospitais;
  • • SAMU, pelo número 192, em situações de emergência.

O CVV também disponibiliza atendimento por outros canais em seu site.


Setembro Amarelo é sobre vida

O Setembro Amarelo não deve ser lembrado apenas como uma campanha de conscientização. É um convite para que a sociedade aprenda a perceber o sofrimento do outro, escute mais, julgue menos e incentive a busca por ajuda.

Nem sempre quem está sofrendo consegue pedir ajuda diretamente. Por isso, prestar atenção, perguntar como alguém está e permanecer por perto pode fazer diferença.

Falar sobre prevenção do suicídio com responsabilidade não aumenta o problema. Pelo contrário: amplia a informação, reduz o estigma e pode aproximar pessoas de uma rede de cuidado.


Neste Setembro Amarelo, a mensagem do Bereu News é simples:

Você não precisa enfrentar um momento difícil sozinho. Procure ajuda, converse com alguém de confiança e busque atendimento profissional.

Se você ou alguém próximo estiver em risco imediato, procure um serviço de emergência ou ligue 192. Para conversar e receber apoio emocional, ligue gratuitamente para o CVV – 188.

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