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16 de junho de 2020

"Assassinaram pelas costas", diz pai de criança morta durante operação da PM no Vale das Pedrinhas


Revoltados e desolados. Assim estão os familiares de Micael Santos, a criança morta durante uma ação da Polícia Militar no Vale das Pedrinhas, em Salvador, na noite de domingo (14/6). Os pais do garoto rebatem a versão da corporação de que o jovem estava junto com um grupo armado surpreendido por viaturas do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) da 40ª Companhia Independente (CIPM/Nordeste de Amaralina). Inicialmente, a idade do menino passada logo depois da ocorrência era de 11 anos, mas a família contou que ele tinha um ano a mais, 12. 
O pai prefere não se identificar. Ele garante que Micael não tinha envolvimento com o tráfico de drogas e estava passeando pelo bairro quando foi alcançado. "Eles [policiais] covardemente assassinaram meu filho pelas costas. [Micael] acordou no horário de 11h, almoçou, falou que iria 'empinar uma arraia'. Comprou, me trouxe, eu ajeitei e ele foi brincar. Ficou até 17h na rua. Logo em seguida, como ele é morador do bairro, foi andar. Neste momento se deparou com essa situação e os policiais dizendo que houve troca de tiros e que meu filho estava armado". 
Material-de-Micael
"Agora, eu pergunto a vocês, como é que uma criança de 12 anos vai estar armada e a arma não é apresentada? Vai estar com drogas e a droga não é apresentada? Isso é mais um motivo que eles estão usando para livrar a pele deles", acusa o homem. 
A mãe, que também não se identifica, vai além. Segundo ela, são rotineiras as incursões da PM na localidade. "O Deus que eu sigo é quem está me confortando. Eu não aceito, toda noite os policiais entram aqui. Meu filho estava a tarde toda 'empinando arraia'. Os policiais já descem aqui dando tiro. As autoridades sabem que dentro da polícia tem corrupção. Tem gente também ali que dizem que aqui tem ladrão, mas eles quem são". 
"'Quando cheguei no HGE, os policiais estavam lá dando risada de minha cara. Eles já entram aqui pra fazer isso mesmo. Peço muito a Deus força, que eles tenham consciência. Entram aqui dando tiro. Todo mundo para eles é ladrão. Meu filho caçula era muito brincalhão, hiperativo. Acompanhava a aula com ele. Ele era do bem e entrego na mão de Deus. Eu perdoo eles, mas que eles se arrependam. A Justiça vem da mão do Senhor". 
Pela versão da PM, os agentes receberam, via Centro Integrado de Comunicação (Cicom), uma denúncia sobre traficantes armados na região e montaram uma ação para verificar a informação. Na Rua Santo André, os suspeitos atiraram contra as guarnições, que revidaram. Houve confronto e o bando conseguiu fugir, mas um rastro de sangue chamou a atenção dos agentes. Os militares seguiram as manchas e encontraram a criança.
FAMILIAR
De acordo com os policiais militares do PETO da 40ª CIPM, o jovem é irmão de Jones Silva Santos, o “Boneco”. Ele, que era considerado liderança do tráfico no Nordeste de Amaralina, morreu no final de 2013 durante uma operação da Polícia Civil no município de Itacaré. "Boneco" era da facção criminosa Comando da Paz (CP) e chegou a integrar o "Baralho do Crime" da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

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