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13 de janeiro de 2021

Estudo aponta que novo coronavírus pode estar circulando no Brasil desde novembro de 2019


Um artigo publicado na revista científica Plos One mostra que o novo coronavírus pode estar circulando no Brasil desde novembro de 2019. A informação foi divulgada nesta terça-feira (12/1), pelo secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, e pelo diretor-geral do Laboratório Central de Saúde Pública do estado (Lacen-ES), Rodrigo Rodrigues. 

Oficialmente, o primeiro caso só foi identificado no país no final de fevereiro, mas os resultados da reanálise de algumas amostras de sangue, colhidas a partir de 1º de dezembro de 2019, podem mostrar o contrário. 

Fernandes explicou que a decisão de submeter amostras de sangue armazenadas pelo Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo (Hemoes) foi adotada em agosto de 2020, após a constatação de que a semelhança entre alguns dos sintomas da dengue e da chikungunya com os da Covid-19 podem ter confundido os médicos antes que se soubesse mais a respeito da ação do novo coronavírus.

"Isto nos levou a levantar algumas questões a respeito da possibilidade de que muitos casos suspeitos destas arboviroses [dengue ou chikungunya] poderiam, na verdade, ser casos da Covid-19”, explicou o secretário. Ainda conforme ele, a partir daí, a doença foi se espalhando ao longo do primeiro semestre de 2020, e simultaneamente, houve o aumento de casos de dengue e de chikungunya.

Em agosto do ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde autorizou reanálise de mais de 7.300 amostras de sangue, que  tinham sido colhidas nos oito meses anteriores para que fossem verificadas as hipóteses de dengue ou chikungunya. O objetivo era verificar, por meio do teste de antígeno, se havia vestígios de infecção pelo novo coronavírus.

De acordo com o estudo, das mais de 7,3 mil amostras pesquisadas, 210 reagiram positivamente para o anticorpo. Dentre essas, 89 reagiram positivamente também para dengue ou para chikungunya. Para Rodrigues, isso demonstra que essas 210 pessoas possuíam infecção pelo novo coronavírus, além das arboviroses. “Muitos casos da doença continuaram se perdendo devido à suspeita de arboviroses”, esclareceu.

“A primeira mostra positiva é oriunda de uma coleta realizada no dia 18 de dezembro de 2019. Se levarmos em consideração que o anticorpo [IGG] só atinge níveis detectáveis após 15 ou 20 dias, podemos sugerir que a exposição [do paciente] pode ter ocorrido ou no fim de novembro ou no início de dezembro [de 2019]”, declarou Rodrigues, afirmando também que os surtos concomitantes de dengue e chikungunya podem ter dificultado o diagnóstico dos primeiros casos de Covid-19, o que teria contribuído para a rápida expansão no Brasil.

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