| Por Joab Vitorino - Bereu News / Foto: Reprodução |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o enredo central do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que abriu as apresentações do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí. A apresentação trouxe passagens marcantes da trajetória política do petista e incluiu críticas a adversários.
A Comissão de Frente encenou a eleição presidencial de 2002, que levou Lula ao Palácio do Planalto, e a cerimônia de transmissão da faixa presidencial à então presidente Dilma Rousseff, em 2011.
Encenações Relembram Impeachment e Prisão
Um dos momentos de maior repercussão foi a representação do processo de impeachment de Dilma. Na alegoria, o ex-presidente Michel Temer foi retratado em cena simbólica relacionada à retirada da faixa presidencial.
O desfile também fez referência à prisão de Lula durante as investigações da Operação Lava Jato. Em outra encenação, Temer aparece passando a faixa presidencial ao personagem “Bozo”, figura popular da televisão brasileira nos anos 1980 — apelido utilizado por apoiadores de Lula em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
| Por Joab Vitorino - Bereu News / Foto: Reprodução |
Oposição Critica Apresentação
A apresentação foi acompanhada por Lula na Sapucaí e gerou reações de integrantes da oposição.
O senador Sérgio Moro, que atuou como juiz na primeira instância dos processos da Lava Jato contra Lula, afirmou nas redes sociais que o desfile promoveu exaltação do presidente sem abordar acusações de corrupção. Ele comparou a apresentação a eventos oficiais da Coreia do Norte.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se manifestou, destacando que a prisão de Lula foi registrada judicialmente.
Entenda o Contexto
Lula foi preso em 2018 após condenação relacionada à Lava Jato. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações ao considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos e que houve parcialidade do então juiz responsável. Com a decisão, o presidente recuperou seus direitos políticos e voltou a disputar eleições.
O desfile reforça a tradição do Carnaval carioca de levar temas políticos e sociais para a avenida, mas também evidencia como a festa pode repercutir no cenário político nacional.